Mondo #1: A newsletter

Esta edição é como um prólogo do que você vai ler aqui, só que é mais que uma simples apresentação. Mais: Blockbuster, The Weeknd, o mercado de games, Y2K

AQUELE TÍTULO LÁ EM CIMA, que parece aqueles usados nos filmes dos anos 80 e 90, é só para indicar que esta edição inaugural de lançamento da Mondo é uma apresentação com substância. Eu achei melhor assim, porque aqui lanço as bases, com o conceito, as ideias, o tom e as seções desta newsletter. É meio um MVP também, ainda.

Mondo é uma newsletter semanal sobre questões da vida criativa — de carreira e criatividade a cultura e influências. Fica situada na interseção entre a vida pessoal e a vida profissional, com uma dose de reflexão sobre o futuro e alguns GIFs bem legais dos cantos mais remotos da internet. Também pode ser sobre criatividade, autoconfiança e como fazer um trabalho significativo. Tipo uma viagem. Mas, seu eu te dissesse que é basicamente sobre tentar se situar na vida em meio ao caos, ao FOMO e ao turbilhão existencial que tem sido esses últimos meses, talvez você nem entendesse.

Eu penso que muitos de nós que, agora, já passaram dos 40 (ou estão quase lá e já se questionando) e já tiveram umas boas (ou nem tanto…) experiências mundo afora, adoraria ter um insight que definisse sua vida ou sua carreira: um momento em que encontrassem algo que os diferencia e os leva numa direção nova que pode mudar tudo aquilo para o qual se prepararam para fazer durante a vida e em torno do qual tudo gira há algum tempo. Para isso, nada melhor que novas ideias, novas opiniões, outras perspectivas e alternativas possíveis. Como alguém que já se reinventou e mudou de trabalho e de carreira algumas vezes, eu mesmo jamais poderia me permitir fechar esta newsletter na minha própria área dentro desse nicho dos criativos, inclusive por que a vida é hoje muito mais fluida e fora de qualquer definição convencional. É preciso que haja novas ideias, que a inspiração surja ou esteja por perto. Que não falte informação: o que fazer, a partir daí, é responsabilidade de cada um de nós; sua, minha. Tal como disse um professor que tive num curso de design que fiz há alguns anos, tudo aquilo que você gosta ou quer ver, ler, ouvir, deve ser ser visto, lido, ouvido, porque a inspiração, os insights e as ideias que complementarão as suas próprias ideias, podem estar em qualquer lugar. Nunca se sabe... 

Além disso, num momento tão transformador quanto uma pandemia, cada vez mais a separação entre trabalho e vida pessoal é uma coisa muito mais complexa do que o que vimos há, digamos, um ano atrás! Em muitos casos, somos o nosso trabalho, como mostram os feeds do Instagram de muitas contas “pessoais” ou a forma como nos mostramos na web ou nos próprios perfis das mais diversas redes sociais. Mas, é preciso se abrir e cuidar também da saúde mental e dos próprios processos internos. Ter inteligência emocional — algo que ainda estou descobrindo, entendendo e tentando lidar, viu? Pra se cuidar, em todos os sentidos. Outros pontos de vista, em momentos desafiadores, são fundamentais para dizer: “Ei, você não está só nessa!"

Por outro lado, Mondo é um pouquinho de tudo, sendo a vida da ótica de um criativo o ponto de partida para desenrolar um fio que pode tanto ser pessoal, quanto mais coletivo e abrangente. Também é sobre o trabalho, ou o futuro do trabalho para quem estamos na luta. Só que também me pergunto: e o que veio antes deste momento tão diferente e tão sci-fi da vida real? E o depois (num sentido mais “contínuo” na linha do tempo, se é que você me entende) de tudo isso? E onde entram o lazer, os hobbies e aquele momento sozinho consigo mesmo nesse emaranhado de tantos conceitos que nos afetam? (Ainda mais agora, já que o home office veio pra ficar.) Lembrando que boas ideias podem surgir de momentos mais relax, descompromissados, de ver um filme ou série, de “surfar” (putz, lembra disso?) na web, de ouvir uma playlist — e isso já seria um ponto de partida para um papo… 

Daqui da minha mesa, todas as quintas-feiras, me proponho a guiar você a partir de histórias pessoais e de observações que possibilitem um diálogo, uma conversa ou uma discussão que contribua para abrir a mente para novos caminhos. Algumas dicas para ler, ver, ouvir e curtir. Apresentar novas vozes também faz parte dos planos. Porque este é o ano da sobrevivência, da luta pela continuidade (seja do que for), de plantar boas ideias e da certeza de que sempre haverá novos caminhos. Vamos juntos, porque a gente não chegou tão longe, depois de tudo o que passamos, pra desistir agora.

PS.: Mondo é uma palavra em espanhol, um adjetivo, que significa “limpo de coisas supérfluas ou estranhas”. Ou seja, tudo o que gostaria e espero depois que a vida voltar a seguir seu fluxo normal.


Mix

O que andei lendo nos últimos dias: A última Blockbuster do planeta segue firme na cidade de Bend, Oregon, EUA. Inclusive, estava pronta para ser alugada, mas por apenas uma noite, no Airbnb. Eu, que trabalhei na 1ª loja do Rio em 1997, em Ipanema, no meu último ano da faculdade antes de pegar um estágio, senti uma certa nostalgia disso. @@ A revista Exame tratou do bilionário mercado de games aqui no Brasil. É mais valioso que o de streaming e passou sem problemas pelo auge dessa pandemia. @@ Agora que o 1º filme do game Mortal Kombat completa 25 anos, Paul W.S. Anderson, o diretor, conta como foi criar algo que fugisse do estigma de filmes ruins inspirados por videogames. Esse, eu vi no cinema, quando morava na Zona Norte aqui do Rio, no antigo Cinema Olaria. Uau! @@ O TikTok é mesmo toda essa ameaça à segurança nacional, como diz o atual governo americano? Segundo o NY Times, não é bem assim, mas a história toda parece ter muito mais a ver com disputas comerciais entre Estados Unidos e China. @@ E que história é essa de taxação de livros? Sério, isso? Já tivemos um estelionato eleitoral, agora vamos ter imposto num produto tão essencial?! Tudo bem que o preço dos livros por aqui também não é nada justo (incluindo a parte do autor), mas mais imposto não vai ajudar. @@ Se cuida! Alexandre Bobeda

Play

O que vi, ouvi e curti ultimamente:

  • A alucinante, bombástica live interativa do The Weeknd no TikTok. Vi no YouTube e fiquei de queixo caído! É um visual fantástico com uma ideia empolgante e inovadora. Pra mim, um dos artistas mais criativos desses tempos.

  • No site A.V. Club, recomendo a Y2K Week. É uma viagem nostálgica por coisas (filmes, música, tv, web etc) do ano 2000. Todo o ano eles fazem, voltando 20 anos no tempo. Uma delícia.

  • O disco novo de Nicolas Godin, que é metade do duo francês Air, é uma delícia! Concrete and Glass lembra muito o trabalho da dupla e é ótimo pra ouvir num sábado pela manhã, tomando café.

  • O doc sobre Walter Mercado, o “Ligue Djá”, no Netflix. Que cara bacana! Vale ver se você se lembra dele dos anos 90. Ou mesmo que não se lembre.

  • Aliás, eu uso o JustWatch pra saber o que ver no streaming.

  • O canal do Dinho Ouro Preto no YouTube. Nele, o vocalista do Capital Inicial conta umas histórias divertidas e mostra a vida pessoal e profissional do ponto de vista de um artista da música.

  • E esse maluco que pensa que é o Logan/Wolverine? O Instagram dele é doido, mas bem divertido.

GIFInspiração

O 1º encontro depois da pandemia…

(A interpretação é sua.)


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Créditos das imagens: [Texto principal: The Weeknd/TikTok; Tumblr | Mix: Airbnb | GIFInspiração: Studio Ghibli]

Mondo é um produto do estúdio House Of X.